DETEÇÃO DE CHLAMYDIA TRACHOMATIS POR TESTE DE AMPLIFICAÇÃO DE ÁCIDOS NUCLEICOS (TAAN)

Significado Clínico Chlamydia trachomatis é o agente etiológico mais frequente associado à infecção Sexualmente Transmissível (IST) de origem bacterina na Europa (175 casos por 100.000 pessoas, 2011) e nos Estados Unidos da América (456.7 casos por 100.000 pessoas, 2012).

 É o principal agente de uretrites e cervicites não-gonocócicas, infecções que frequentemente são assintomáticas (70% nas mulheres, 50% nos homens), sem expressão clínica aparente. O carácter silencioso da infecção constitui um factor de risco pessoal e social associado à difusão da doença. A nível pessoal, a ausência de tratamento pode traduzir-se em complicações graves, sobretudo na mulher jovem, como a doença inflamatória pélvica crónica, infertilidade e gravidez ectópica; no homem também pode determinar redução de fertilidade.

 O rastreio das infecções assintomáticas na população jovem (<25 anos) sexualmente activa é premente e faz parte do Programa Europeu de controlo da Chlamydia trachomatis.

Diagnóstico Convencional

 As técnicas de uso comum para o diagnóstico da infecção por Chlamydia trachomatis, nomeadamente a IFD (imunoflurescência directa) e a EIA (ensaio imunoenzimático) são pouco sensíveis (60-75%), têm uma elevada exigência técnica na recolha de amostra e causam grande incómodo nos doentes.

 A cultura em células é o “Gold Standard”. Contudo as exigências técnicas associadas à conservação das amostras e ao procedimento laboratorial limitam o isolamento em cultura celular a centros de referência e sempre que estejam envolvidos estudos de natureza médico-legal.

Diagnóstico Molecular

 Na última década a utilização dos testes de amplificação de ácidos nucleicos (TAAN) veio permitir o diagnóstico e o tratamento de um maior número de casos.

 Os TAAN apresentam uma elevada sensibilidade (90-95%) e especificidade (95%-98%). São os testes recomendados pelos Centros Americano e Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (CDC e ECDC) para o diagnóstico e rastreio de indivíduos assintomáticos) da infecção por Chlamydia trachomatis. São os únicos testes aprovados para amostras não invasivas (self-collected) como urina do 1º jacto e secreções vaginais.